Existem
diversos tipos e subtipos de câncer de mama. No geral, o diagnóstico para o
câncer de mama leva em conta alguns critérios: se o tumor é ou não invasivo,
seu tipo tipo histológico, avaliação imunoistoquímica e seu estadio (extensão):
Tumor invasivo ou não
Um câncer
de mama não invasivo, também chamado de câncer in situ, é aquele que está
contido em algum ponto da mama, sem se espalhar para outros órgãos - a membrana
que reveste o tumor não se rompe, e as células cancerosas ficam concentradas
dentro daquele nódulo. Já o câncer de mama invasivo acontece quando essa
membrana se rompe e as células cancerosas invadem outros pontos do organismo.
Todo câncer de mama in situ tem potencial para se transformar em um câncer de
mama invasor.
Avaliação Imunoistoquímica
Também
chamada de IQH, a avaliação imunoistoquímica para o câncer de mama avalia se
aquele tumor tem os chamados receptores hormonais. Aproximadamente 65 a 70% dos
cânceres de mama tem esses receptores, que são uma espécie de ancoradouro para
um determinado hormônio. Existem três tipos de receptores hormonais para o
câncer de mama: o de estrógeno, o de progesterona e o de HER-2. Esses
receptores fazem com que o determinado hormônio seja atraído para o tumor, se
ligando ao receptor e fazendo com que essa célula maligna se divida, agravando
o câncer de mama.
A
progesterona e o estrógeno são hormônios que circulam normalmente por nosso
organismo, que podem se ligar aos receptores hormonais do câncer de mama,
quando houver. Já o HER-2 (sigla para receptor 2 do fator de crescimento
epidérmico humano) é um gene que pode ser encontrado em todas as células do
corpo humano, que tem como função ajudar a célula nos processos de divisão
celular. O gene HER-2 faz com que a célula produza uma proteína chamada
proteína HER-2, que fica na superfície das células. De tempos em tempos, a
proteína HER-2 envia sinais para o núcleo da célula, avisando que chegou o
momento da divisão celular. Na mama, cada célula possui duas cópias do gene
HER-2, que contribuem para o funcionamento normal destas células. Porém, em
algumas pacientes com câncer de mama, ocorre o aparecimento de um grande número
de genes HER-2 no interior das células da mama. Com o aumento do número de
genes HER-2 no núcleo, ficará também aumentado o número de receptores HER-2 na
superfície das células.
Tipo histológico
O tipo
histológico é como se fosse o nome e o sobrenome do câncer de mama. Os tipos
histológicos de câncer de mama se dividem em vários subtipos, de acordo com
fatores como a presença ou ausência de receptores hormonais e extensão do
tumor. Os tipos mais básicos de câncer de mama são:
- Carcinoma ducta in situ:é o tipo mais comum de
câncer de mama não invasivo. Ele afeta os ductos da mama, que são os
canais que conduzem leite. O câncer de mama in situ não invade outros
tecidos nem se espalha pela corrente sanguínea, mas pode ser multifocal,
ou seja, pode haver vários focos dessa neoplasia na mesma mama.
Caracterizase pela presença de um ou mais receptores hormonais na
superfície das células.
- Carcinoma ductal invasivo:ele também acomete os ductos
da mama, e se caracteriza por um tumor que pode invadir os tecidos que os
circundam. O câncer de mama do tipo ductal invasivo representa de 65 a 85%
dos cânceres de mama invasivos. Esse carcinoma pode crescer localmente ou
se espalhar para outros órgãos por meio de veias e vasos linfáticos. Caracteriza-se
pela presença de um ou mais receptores hormonais na superfície das
células.
- Carcinoma lobular in situ: ele se origina nas células
dos lobos mamários e não tem a capacidade de invasão dos tecidos
adjacentes. É um tipo de câncer de mama que frequentemente é multifocal. O
carcinoma lobular in situ representa de 2 a 6% dos casos de câncer de
mama.
- Carcinoma lobular invasivo: ele também nasce dos lobos
mamários e é o segundo tipo mais comum de câncer de mama. O carcinoma
lobular invasivo pode invadir outros tecidos e crescer localmente ou se
espalhar. Geralmente apresenta receptores de estrógeno e progesterona na
superfície das células, mas raramente a proteína HER-2.
- Carcinoma inflamatório: raramente apresenta
receptores hormonais, podendo ser chamado de triplo negativo. Ele é a
forma mais agressiva de câncer de mama – e também a mais rara. O carcinoma
inflamatório se apresenta como uma inflamação na mama e frequentemente tem
uma grande extensão. O câncer de mama do tipo inflamatório também começa
nas glândulas que produzem leite. As chances dele se espalhar por outras
partes do corpo e produzir metástases são grandes.
- Doença de Paget: é um tipo de câncer de mama
que acomete a aréola ou mamilos, podendo afetar os dois ao mesmo tempo.
Ele representa de 0,5 a 4,3% de todos os casos de carcinoma mamário, sendo
portando uma forma mais rara. Ele é caracterizado por alterações na pele
do mamilo, como crostas e inflamações – no entanto, também pode ser
assintomático. Existem duas teorias para explicar a origem da doença de
Paget da mama: as células tumorais podem crescer nos ductos mamários e
progredir em direção à epiderme do mamilo, ou então as células tumorais se
desenvolvem já na porção terminal dos ductos, na junção com a epiderme.
Estadiamento da doença
O câncer
de mama é dividido em quatro estadios ou estágios, conforme a extensão da
doença, que vão do 0 ao 4:
- Estadio 0: as células
cancerosas ainda estão contidas nos ductos, por isso o problema é quase
sempre curável
- Estadio 1: tumor com menos
de 2 cm, sem acometimento das glândulas linfáticas da axila
- Estadio 3: nódulo com mais
de 5 cm que pode alcançar estruturas vizinhas, como músculo e pele, assim
como as glândulas linfáticas. Mas ainda não há indício de que o câncer se
espalhou pelo corpo
- Estadio 4: tumores de
qualquer tamanho com metástases e, geralmente, há comprometimento das
glândulas linfáticas. No Brasil cerca de 60 a 70% dos casos são
diagnosticado em estadio 3 ou 4.
Fatores de risco
Os principais fatores de risco para o câncer de mama são:
Histórico familiar
Os
critérios para identificar o risco genético que uma mulher tem de sofrer um
câncer de mama são:
- Dois ou mais parentes de
primeiro grau com câncer de mama
- Um parente de primeiro grau
e dois ou mais parentes de segundo ou terceiro grau com a doença
- Dois parentes de primeiro
grau com câncer de mama, sendo que um teve a doença antes de 45 anos
- Um parente de primeiro grau
com câncer de mama bilateral
- Um parente de primeiro grau
com câncer de mama e um ou mais parentes com câncer de ovário
- Um parente de segundo ou
terceiro grau com câncer de mama e dois ou mais com câncer de ovário
- Três ou mais parentes de
segundo ou terceiro grau com câncer de mama
- E dois parentes de segundo
ou terceiro grau com câncer de mama e um ou mais com câncer de ovário.
Idade
As mulheres entre 40 e 69 anos são as principais vítimas
de câncer de mama. Isso porque a exposição ao hormônio estrógeno está no auge
com a chegada dessa idade. A partir dos 50 anos, particularmente, os riscos
entram em uma curva ascendente.
Menstruação precoce
A relação entre menstruação e câncer de mama está no fato
de que é no início desse período que o corpo da mulher passa a produzir
quantidades maiores do hormônio estrógeno. Esse hormônio em quantidades
alteradas facilita a proliferação desordenada de células mamárias, resultando
em um tumor. Quanto mais intensa e duradoura é a ação do hormônio nas células
mamárias, maior é a probabilidade de um tumor. Se a primeira menstruação ocorre
por volta dos 9 ou 10 anos de idade, é porque os ovários intensificaram a
produção do hormônio cedo e, assim, o organismo ficará exposto ao estrógeno por
mais tempo no decorrer da vida.
Menopausa tardia
A lógica nesse caso é a mesma do caso acima - enquanto a
menstruação não cessa, os ovários continuam a produzir o estrógeno, deixando as
glândulas mamárias mais expostas ao crescimento celular desordenado.
Reposição hormonal
Muitas mulheres procuram a reposição hormonal para
diminuir os sintomas da menopausa. Mas essa reposição - principalmente de
esteroides, como estrógeno e progesterona - pode aumentar as chances de câncer
de mama. Na menopausa, os tecidos ficam ainda mais sensíveis à ação do
estrógeno, já que os níveis desse hormônio estão baixos devido à ausência de
sua produção pelo ovário. Como alternativa à reposição hormonal, é indicada a
prática de exercícios físicos e uma dieta balanceada.
Colesterol alto
O colesterol é a gordura que serve de matéria prima para
a fabricação do estrógeno. Dessa forma, mulheres que altos níveis de colesterol
tendem a produzir esse hormônio em maior quantidade, aumentando o risco de
câncer de mama.
Obesidade
O excesso de peso é um fator de risco para o câncer de
mama principalmente após a menopausa. Isso porque a partir dessa idade o tecido
gorduroso passa a atuar como uma nova fábrica de hormônios. Sob a ação de
enzimas, a gordura armazenada nas mamas, por exemplo, é convertida em
estrógeno. O alerta é mais sério para aquelas que apresentam um índice de massa
corporal (IMC) igual ou superior a 30. A redução de apenas 5% do peso já
cortaria quase pela metade os riscos de desenvolver alguns dos principais tipos
de câncer de mama. A constatação é de pesquisadores do Centro de Prevenção Fred
Hutchinson (EUA), com base na avaliação de dados de 439 mulheres acima do peso
entre 50 e 75 anos de idade.
Ausência de gravidez
Mulheres que nunca tiveram filhos têm mais chances de ter
câncer de mama devido a ausência de amamentação. Quando a mulher amamenta, ela
estimula as glândulas mamárias e diminui a quantidade de hormônios, como o estrógeno,
em sua corrente sanguínea.
Lesões de risco
Já ter apresentado algum tipo de alteração na mama não
relacionada ao câncer de mama também pode aumentar as chances do surgimento de
tumores. Dessa forma, pequenos cistos ou calcificações encontrados na mama,
ainda que benignos, devem ser acompanhados com atenção.
Tumor de mama anterior
Pacientes que já tiveram câncer de mama têm mais chances
de apresentar outro tumor - nesse caso, o câncer de mama é chamado de câncer
recidivo, ou um câncer de mama que sofreu uma recidiva.
Sintomas de Câncer de mama
A maioria dos tumores da mama, quando iniciais, não
apresenta sintomas. Caso o tumor já esteja perceptível ao toque do dedo, é
sinal de que ele tem cerca de 1 cm³ - o que já uma lesão muito grande. Por isso
é importante fazer os exames preventivos na idade adequada, antes do
aparecimento de qualquer sintoma do câncer de mama. Entretanto, o nódulo não é
o único sintoma de câncer de mama. Veja outros sinais:
- Vermelhidão na pele
- Alterações no formato dos
mamilos e das mamas
- Nódulos na axila
- Secreção escura saindo pelo
mamilo
- Pele enrugada, como uma
casca de laranja
- Em estágios avançados, a
mama pode abrir uma ferida.
Tratamento de Câncer de mama
Existem alguns tratamentos para o câncer de mama, que
podem ser combinados ou não. Todo o câncer de mama deverá ser retirado ou uma
cirurgia, que pode ser parcial ou total – entretanto, em alguns casos pode ser
que a cirurgia seja combinada ou com outros tratamentos para o câncer de mama.
O que vai determinar a escolha do tratamento é a presença ou ausência de
receptores hormonais, o estadiamento do tumor, se já apresenta o diagnóstico
com metástase ou não. Outro fator determinante para o tratamento do câncer de
mama é a paciente e qual o seu estado de saúde e época da vida. Trata o câncer
de mama em uma mulher de 45 anos, saudável, é completamente diferente de fazer
o tratamento em uma mulher com 80 anos e doenças relacionadas – ainda que o
tipo e extensão do câncer sejam exatamente iguais. Nesse caso, deve ser levado em
conta o impacto dos tratamentos e se eles irão interferir na qualidade de vida
da paciente. Os tratamentos para o câncer de mama são divididos entre terapia
local e terapia sistêmica:
Terapia local
O câncer
de mama tratado localmente será submetido a uma cirurgia parcial ou total
seguida de radioterapia:
- Cirurgia: é a modalidade de
tratamento mais antiga para o câncer de mama. Quando o tumor encontrase em
estágio inicial, a retirada é mais fácil e com menor comprometimento da
mama.
- Radioterapia: terapia que
usa radiação ionizante no local do tumor. É muito utilizada para tumores
que ainda não se espalharam e não metástases, para os quais não é
necessária a retirada de grande parte da mama. A radioterapia também pode
ser usada nos casos em que o câncer de mama não pode ser retirado
completamente com a cirurgia, ou quando se quer diminuir o risco de o
câncer de mama voltar a crescer. Dura aproximadamente um mês.
Terapia sistêmica
O
tratamento sistêmico se faz com um conjunto que medicamentos que serão infundidos
por via oral ou diretamente na corrente sanguínea. Em ambos os casos, o
tratamento não é feito de forma local – ou seja, o medicamento irá circular por
todo o organismo, inclusive onde o tumor se encontra. Há três modalidade de
terapia sistêmica:
- Quimioterapia: tratamento
que utiliza medicamentos orais ou intravenosos, com o objetivo de
destruir, controlar ou inibir o crescimento das células doentes. A quimio
pode ser feita antes ou após a cirurgia, e o período de tratamento varia
conforme o câncer de mama e a paciente.
- Hormonioterapia: tem como
objetivo impedir a ação dos hormônios que fazem as células cancerígenas
crescerem. A hormonioterapia, portanto, só poderá ser utilizada em
pacientes que apresentam pelo menos um receptor hormonal para câncer de
mama. Essa terapia no geral é feita via oral, e as drogas agem bloqueando
ou suprimindo os efeitos do hormônio sobre o órgão afetado.
- Terapia alvo (anticorpos
monoclonais): também conhecido como terapia anti HER-2, essa modalidade é
constituída de drogas que bloqueiam alvos específicos de determinadas
proteínas ou mecanismo de divisão celular presente apenas nas células
tumorais ou presentes preferencialmente nas células tumorais. São
medicamentos ministrados geralmente via oral. Quando o câncer de mama expressa
a proteína HER-2 em grande quantidade, por exemplo, são utilizadas drogas
que irão destruir essas células especificamente. Existem outras proteínas
ou processos celular que podem se acentuar no tumor e intensificar seu
crescimento, e as drogas da terapia alvo irão agir nesses pontos
específicos.
Caso o
tumor tenha grande extensão, pode ser que o médico recomende uma terapia
sistêmica inicialmente, para diminuir o tamanho do câncer de mama e assim fazer
a cirurgia parcial. Se o câncer apresentar metástases, a terapia sistêmica
também é indicada, já que as drogas agem no corpo inteiro, encontrando focos do
tumor e eliminando. A escolha do tratamento tem que levar em conta a
curabilidade da doença e a tolerância à toxicidade do tratamento (algumas mulheres
não podem se expor a tratamentos muito severos durante um longo período).
Pacientes que sofreram metástases deverão se submeter ao algum tratamento
sistêmico para o resto da vida, além do acompanhamento clínico.
Complicações possíveis
Entre as
complicações do câncer de mama está a recidiva, que é a volta de um tumor já
tratado. A recidiva do câncer de mama ocorre nos dois ou três primeiros anos
após a retirada do tumor, por isso é necessário fazer um acompanhamento próximo
nesse período, com mamografias regulares em intervalos de seis meses ou
anualmente mais análise clínica do paciente. O câncer de mama também pode
invadir outros tecidos e se espalhar pela circulação sanguínea ou linfática,
atingindo outros órgãos como fígado e ossos - causando as chamadas metástases.
Se o câncer de mama dor metastático, o tratamento deve ser sistêmico e
acompanhado também individualmente.
Além
disso, há os efeitos colaterais das terapias para o câncer de mama. Após a
cirurgia, é necessário acompanhamento com médico e fisioterapeuta para evitar o
rompimento dos pontos e necrose de tecidos - também é importante manter a
higienização do local para evitar infecções. A cirurgia também envolve a
modificação e pode causar uma série de alterações psicológicas na paciente, além
das físicas.
A hormonioterapia pode piorar os sintomas da menopausa,
favorecer a osteoporose, aumentar o risco de trombose e coágulos nas pernas -
entretanto, esses efeitos colaterais são raros e as pacientes no geral tem uma
alta tolerância ao tratamento.
Durante a quimioterapia a mulher pode sofrer infecções
bucais, queda de cabelo, diarreia, náuseas e baixa imunidade temporária.
Algumas quimioterapias também pode afetar a saúde cardiovascular - por isso é
importante o acompanhamento com cardiologista. O sistema reprodutor também pode
ser afetado, por isso, se você estiver em idade reprodutiva e pretende ter
filhos, discuta com seu médico e parceiro(a) a possibilidade de se fazer o
congelamento de óvulos. A queda de cabelo é efeito mais comum da quimioterapia
e não é controlável - isso porque o tratamento irá matar tudo aquilo que está
crescendo. Dessa forma, além da queda de cabelo, pode ser que você perceba as
unhas mais fracas também.
A terapia anti HER-2 tem menos efeitos colaterais, mas
pode induzir uma toxicidade no coração - por isso, muita atenção com o
cardiologista se optar por esse tratamento. Os anticorpos monoclonais,
ligando-se às células cancerígenas e destruindo-as especificamente, apresentam
geralmente menor grau de toxicidade que os quimioterápios convencionais. Ainda
sim, pode gerar efeitos como falta de ar, sensação de calor, queda da pressão
arterial e rubor. Notifique imediatamente a equipe que te atende ao sinal
desses sintomas. Normalmente, esses efeitos diminuem nas administrações
posteriores. Já a radioterapia pode causar cansaço e queimaduras leves na pele
que voltam ao normal com o fim da terapia.
Expectativas
A maior
chance de cura é por meio do diagnóstico precoce. Um câncer de mama
diagnosticado no estadio 0 ou 1 chega a ter mais 90% de chance de cura. Já um
câncer de mama no estadio 3 ou 4 tem de 30 a 40% de chance de cura total. Mas
isso não é motivo para desistir ou achar que o seu caso não tem cura – com o
tratamento adequado e força de vontade, todo o obstáculo é transpassado. Mesmo
cânceres em estadios mais avançados podem responder bem ao tratamento, podendo
ser operados e retirados completamente. Por isso é importante conversar com seu
médico e sempre buscar novas formas de lidar com o câncer de mama.
Convivendo/ Prognóstico
O
prognóstico do câncer de mama depende de todas as características do tumor e
paciente, como também da disponibilidade das drogas adequadas. No Brasil ainda
não está disponível a terapia anti HER2 para doença metastática, por exemplo.
Além disso, 40% das mulheres com câncer no geral que precisam de radioterapia
não recebem o tratamento porque não tem equipamentos suficientes no país para
suprir a demanda. Esse tipo de complicação pode piorar o prognóstico de uma
paciente, que fica dependente de uma fila de espera ou então precisa se
inscrever em programas internacionais. Existem modelos matemáticos que ajudam a
estimar o risco de recidiva nos próximos dez anos – mas seus resultados não são
100% corretos ou perfeitos. Existem métodos mais modernos que avaliam o tumor
da paciente em sua composição genética, individualmente. Com base na avaliação
dos genes do tumor da paciente faz-se um prognóstico individualizado e o
benefício que qualquer tratamento vai trazer para a cura do câncer de mama.
Entretanto, esses testes são mais sofisticados e não precisam ser enviados para
fora do país para avaliação.
O
tratamento do câncer de mama também envolve uma serie de cuidados e práticas
para minimizar os efeitos das terapias:
Como minimizar os efeitos adversos da
quimioterapia?
- Náuseas e vômitos: consuma
alimentos de fácil digestão e converse com seu oncologista sobre a
necessidade da utilização de antieméticos.
- Planeje a alimentação:
algumas pessoas sentem-se bem comendo antes da quimioterapia e outras, não
– nesse caso, o hábito varia conforme a necessidade da paciente com câncer
de mama. Entretanto, deve-se sempre aguardar pelo menos uma hora após a
sessão para consumir qualquer alimento ou bebida.
- Coma devagar: consuma
pequenas refeições, cinco ou seis vezes por dia, em vez de três grandes
refeições, evitando ingerir líquidos enquanto come. Isso evite enjoos e
vômitos.
- Prefira alimentos frescos e
evite consumi-los muito quentes
- Evite alimentos e bebidas
fortes, como café, peixe, cebola e alho. Eles também favorecem os vômitos.
Cuidados durante a radioterapia
O
radioterapeuta e a equipe de enfermagem debem orientá-la sobre os cuidados
específicos que deverão ser adotados durante o tratamento de radioterapia.
Esses cuidados variam muito de acordo com a região a ser irradiada.
- Pele: lave a pele irradiada
com sabão suave e água morna. Tente não coçar nem esfregar a área.
- Pomada: aplique pomadas ou
cremes sobre a pele somende com aprovação médica.
- Prefira roupas folgadas e
confortáveis e se possível cubra a região irradiada com roupas claras.
Mais do
que viver, a paciente com câncer de mama pode viver bem, cuidando de si própria
com carinho e atenção. Para ajudar as pacientes nesse desafio, é cada vez mais
comum a abordagem multidisciplinar para o câncer de mama, com apoio de
dentistas, nutricionistas, fisioterapeutas, enfermeiros, psicólogos,
preparadores físicos e etc.
Fisioterapia
Ela
promove a independência funcional da paciente, permitindo que realize as
atividades que deseja sozinha e sem inconveniências. Proporciona alívio da dor
e reduz a necessidade do uso de analgésicos. Geralmente o tratamento é indicado
após a cirurgia.
Nutrição
O
acompanhamento nutricional para o câncer de mama ajuda a prevenir a perda de
peso e a desnutrição durante o tratamento. Além disso, ele ajuda a paciente com
câncer de mama a seguir as restrições dietéticas corretas para evitar possíveis
efeitos colaterais do tratamento.
Exercícios físicos
Não
importante a atividade - o que importa é praticar. A atividade física ajuda a
"mandar" a fadiga embora, aumenta a energia, a disposição e a
autoestima, além de proporcionar convívio social.
- Depois da cirurgia: converse
com seu médico sobre o retorno às atividades físicas. Isso varia de acordo
com o tempo de recuperação esperado para cada procedimento e estado
paciente.
- Algumas pacientes podem
apresentar queda de imunidade durante o tratamento, o que pode ocasionar
infecções oportunistas. Por isso, não se recomendam atividades com a
natação – já o contato com a água da piscina pode favorecer infecções.
- Caso a ideia seja frequentar
uma academia de ginástica, opte pela atividade supervisionada por um
profissional de educação física. Relate seu caso, para que ele indique a
série de exercícios mais adequada.
Sexualidade e sensualidade
Durante o
tratamento do câncer de mama, diversas situações como diminuição da libido,
alterações hormonais e incômodos emocionais podem influenciar diretamente no
seu comportamento sexual. É importante que entenda que esses transtornos são
causados por situações físicas que você está enfrentando e não tem a ver o que
você é em essência. Tente resgatar nesse período a sensualidade que há em você
– mas tudo em seu tempo.
- Fale com seu parceiro ou
parceira: converse sobre a diminuição da libido para que a pessoa não se
sinta rejeitada e confusa com seu possível desinteresse sexual. A
comunicação aberta poderá ajudar a buscar maneiras criativas de despertas
a sua libido.
- Fale com seu oncologista:
seu médico pode prescrever medicamentos para combater os efeitos
colaterais do tratamento, motivos que levam ao desinteresse sexual.
- Fale com um psicólogo: o
profissional pode ajudar identificando e tratando os obstáculos emocionais
que colaboram com o desinteresse sexual.
Cuidados com a autoestima
A queda
de cabelos e a mastectomia são os pontos do câncer de mama que mais podem
afetar a autoestima da paciente. Tente não se render a esses sentimentos e
procure saídas para esses incômodos, que são pequenos perto da sua qualidade de
vida e da luta que você está travando. Você pode guardar os fios naturais para
aplicar em rabo de cavalo quando cabelos voltarem a crescer, ou então comprar
perucas e usar lenços coloridos, refletindo sua personalidade. Busque outras
atividades que façam você se sentir bem, como cursos de uma área que você se
interesse. Tudo vale para reconquistar a autoconfiança ou então não deixar que
ela se vá.
Administrando sentimentos
O câncer
de mama pode gerar uma série de sentimentos, diversos altos e baixos. Isso tudo
é normal – o ser humano é cheio de emoções e a presença do câncer de mama pode
maximizar esse aspecto. Entenda que alguns dias serão melhores que outras, mas
não permita que o mais estar se instale. O importante é que você não se
desespere em meio aos sentimentos que experimenta. Se você perceber algum sinal
de depressão, como tristeza profunda, falta de sono e apetite, insegurança e
desânimo, converse com seu oncologista sobre o assunto. Ele poderá recomendar
uma visita ao psicólogo.
Impacto do câncer de mama na minha vida
- Casa: se você ainda não divide
a tarefas com seu parceiro (a) e filhos, essa é a hora para determinar
novas funções. Durante o tratamento pode ser que você se sinta indisposta,
e todo o apoio é importante nesse sentido.
- Trabalho: se você se sentir
disposta e com vontade de trabalhar, vá em frente - isso ajudará a manter
o convívio social e atrelará compromissos a sai vida que não estão
relacionados com o câncer de mama. Porém, em alguns momentos, você poderá
se sentir debilitada e pode ser que opte por deixar o trabalho.
- Vida financeira: seu
orçamento pode ficar abalado caso você precise parar de trabalhar, mais as
despesas do tratamento. Saiba que é possível requisitar auxílio-doença e
não se envergonhe se precisar pedir ajuda a um parente ou amigo mais
próximo. Rever os gastos durante esse período também é essencial.
Conversando com seus filhos
- A pessoa mais indicada para
contar é você. Fale o mais rápido possível, para não criar um clima de
omissão. Além disso, evite omitir a palavra câncer ou tratar o câncer de
mama como um tabu. Isso somente criará medo em torno da doença
- Você não precisa contar
detalhes da doença, mas esteja preparada para questionamentos
- Explique os efeitos
colaterais da doença do tratamento, que é normal você ficar mais triste em
alguns momentos, que é normal a queda de cabelos e outros efeitos. Isso
evite choques.
- Seus filhos poderão
apresentar mudanças de comportamento e desempenho na escola. É importante
que o educador saiba lidar com isso e tenha liberdade de comentar com você
se algo diferente ocorrer.
- Se sentir a necessidade,
busque apoio de um psicólogo familiar.
Conversando com seu marido ou companheiro
O seu
companheiro ou companheira é a pessoa que, assim como os filhos, estará mais
próxima de você nesse momento. Conversem francamente sobre as demandas que
surgirão e peça ajuda para enfrentar o câncer de mama.
Prevenção
A prevenção do câncer de mama pode ser dividida em
primária e secundária: a primeira envolve a adoção de hábitos saudáveis, e a
segunda diz respeito a realização de exames de rastreamento, a fim de
diagnosticar o câncer de mama em estágio precoce.
Amamentação
Mulheres que amamentam os seus filhos por, pelo menos,
seis meses, têm 5% menos chances de desenvolver câncer de mama. Quando a mulher
amamenta, ela estimula as glândulas mamárias e diminui a quantidade de
hormônios, como o estrógeno, da sua corrente sanguínea.
Dieta balanceada
Manter uma dieta adequada ajuda no controle do peso, na
prevenção de doenças crônicas e melhora a saúde como um todo. Além disso, um
corpo saudável trabalha melhor, prevenindo o surgimento de tumores. Mulheres
que consomem vegetais com frequência têm até 45% menos chances de desenvolver
câncer de mama, de acordo com um estudo realizado pela Boston University.
Alimentos como brócolis, mostarda, couve e hortaliças verdes são ricos em
glucosinolatos, que são aminoácidos com um papel importante na prevenção e
tratamento de câncer de mama.
Estresse
Mulheres que vivem uma rotina muito agitada e estressante
têm quase o dobro de chances de desenvolver câncer de mama, quando relacionada
a outros fatores de risco. Técnicas de respiração, meditação e relaxamento,
praticadas em Tai Chi e ioga, ajudam a controlar o estresse e a ansiedade.
Álcool
O consumo de apenas 14 gramas de álcool por dia pode
aumentar as chances de câncer de mama em 30%. O mecanismo de ação pelo qual o
consumo de álcool aumenta o risco de câncer de mama ainda permanece
desconhecido, mas sabemos que ele influencia as vias de sinalização do
estrógeno.
Controle do peso
Ao atingir a menopausa, mulheres com sobrepeso ou
obesidade correm mais risco de desenvolver câncer de mama. E mais: o excesso de
peso ainda aumenta as chances do câncer ser mais agressivo.
Faça a mamografia
A maioria das mulheres devem começar a fazer mamografias
anualmente após os 50 anos, mas, para quem tem histórico familiar de câncer de
mama, o exame deve começar 10 antes do caso mais precoce na família. Assim se
um parente próximo teve câncer de mama aos 40, é preciso começar a fazer
mamografias anualmente a partir dos 30 anos. Fazer a mamografia anualmente em
idade adequada pode reduzir a morte por câncer de mama em até 30%, segundo um
estudo publicado na revista Radiology.
Mais sobre Câncer de mama
Câncer de mama e seus direitos
- Reabilitação profissional: o
serviço da Previdência Social visa readaptar ou reeducar o profissional
para o retorno ao trabalho, com o fornecimento de materiais necessários à
reabilitação (tais como taxas de inscrição em serviços profissionalizantes
e auxílios para transporte e alimentação). Todos os segurados da
Previdência têm direito à reabilitação.
- Auxílio-doença: você terá
direito ao benefício mensal desde que fique por mais de 15 dias com
incapacidade para o trabalho atestada por perícia médica da Previdência
Social e que tenha contribuído com o INSS por no mínimo 12 meses (embora
haja exceções). Compareça pessoalmente ou por intermédio de procurador a
uma agência da Previdência Social, preencha o requerimento, apresente a
documentação exigida e agende a perícia. O auxílio-doença deixará de ser
pago quando você recuperar a capacidade para o trabalho, ou caso o direito
se reverta em aposentadoria por invalidez.
- Aposentadoria por invalidez:
você terá direito ao benefício se for segurada da Previdência Social e a
perícia constatar que está incapacitada permanentemente par ao trabalho.
Via de regra, é preciso ter contribuído com o INSS por, no mínimo, 12
meses para obter o benefício. Compareça pessoalmente ou por procurador a
uma agência da Previdência Social, preencha o requerimento, apresente a
documentação exigida e agende a perícia. Você ainda pode requerer o
auxílio-doença pela internet, no site da Previdência Social ou pelo
telefone gratuito 135.
- Isenção de imposto de renda:
você tem direito à isenção do imposto de renda sobre os valores recebido a
título de aposentadoria, pensão ou reforma, inclusive as complementações
recebidas de entidades privadas e pensões alimentícias, mesmo que a doença
tenha sido adquirida após a concessão da aposentadoria, pensão ou reforma.
Procure o órgão responsável pelo pagamento da aposentadoria, pensão ou
reforma e solicite a isenção do imposto de renda que incide sobre esses
rendimentos.
- IPTU: não existe uma
legislação nacional que garanta a isenção do IPTU para pessoas com
determinadas patologias, como o câncer de mama, mas, como se trata de um
imposto municipal, algumas cidades já garantes a isenção. Informe-se na
Secretaria de Finanças do seu município.
- Cirurgia de reconstrução
mamária: você tem direito a realizar a cirurgia reparadora gratuitamente,
tanto pelo SUS como pelo plano de saúde. Se estiver em tratamento no SUS,
exija o agendamento da cirurgia no próprio local e, se não estiver,
dirija-se a uma Unidade Básica de Saúde e solicite seu encaminhamento para
uma unidade especializada em reconstrução mamária. Pelo Plano de Saúde,
consulte um cirurgião credenciado.
Compartilhando a experiência
A solidão
pode ser um sentimento que assola a paciente com câncer de mama. Mas lembre-se
que você não está sozinha. Peça ajuda, compartilhe sua experiência, procure
centros e locais que façam terapia em grupo. Dissemine seu conhecimento e sua
luta contra o câncer de mama e ajude a quebrar o estigma que existe em torno da
doença. Incentive as mulheres a fazer a mamografia, converse com suas amigas e
colegas sobre a importância do exame. Relate sua experiência para entidades de
apoio ao paciente ou crie um blog para dividir suas questões com os leitores.
Perguntas frequentes
Qual a porcentagem de cânceres de mama que
acontecem por conta da mutação genética?
A
população geral tem cerca de 10 a 12% de riscos de desenvolver a doença. De
acordo com a Sociedade Brasileira de Mastologia, a presença da mutação entre os
casos de câncer de mama gira em torno de 5 a 10%, sendo que 5% de todos os
cânceres de mama são de mulheres com a mutação genética BRCA. Por isso, a
maneira mais segura de tratar e prevenir é visitar o seu mastologista, quando
indicado, e seguir suas orientações.
Uma pessoa que tem risco comprovado para câncer de
mama pode fazer uma mastectomia preventiva?
Uma
mulher com alto risco para câncer de mama pode, sim, optar por fazer a
mastectomia preventiva. A mastectomia preventiva mamária consiste na retirada
da região interna da mama - ou seja, da glândula mamária juntamente com os
ductos mamários - que são os locais onde pode acontecer a formação de um tumor.
Com a retirada do interior da mama, os riscos de câncer reduzem em até 90%. As
chances do câncer ainda existem porque 10% do tecido mamário é preservado para
a nutrir a pele, auréola e mamilo. Na cirurgia sempre serão removidas as duas
mamas, daí a denominação de dupla mastectomia preventiva.
Existem
também tratamentos que usam os chamados anti-hormônios ou moduladores
hormonais, que inibem a produção de estrógeno e impedem as células da mama de
se multiplicarem. Esse tratamento, no entanto, é recomendado apenas para
cânceres de mama hormonais - ou seja, que acontecem ou podem acontecer em
decorrência de alterações hormonais - não sendo indicado para pessoas que tem o
risco genético, por exemplo.
Para
pacientes com risco genético, uma alternativa é redobrar a atenção e
acompanhamento da mamas, partindo para exames de rastreamento, como ultrassom
de mamas e mamografias, em intervalos de tempos mais curtos, a cada seis meses,
por exemplo, dependendo do que o seu médico considerar mais seguro. O objetivo
nesse caso é identificar o câncer numa fase muito precoce e iniciar o
tratamento adequado a partir desse diagnóstico.
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